O Processo Psicoterapêutico em Gestalt-Terapia

A Gestalt-Terapia, segundo Rodrigues (2003), é uma prática que se orienta pela visão do homem como um todo, considerando a patologia apenas mais uma das várias partes do todo que aquele indivíduo é, e sua “doença” encarada como a maneira mais “saudável” que sua natureza encontrou para enfrentar situações insuportáveis ou conscientemente inconciliáveis. Deste modo, da mesma maneira que houve uma organização específica para gerar o comportamento patológico, parte-se do pressuposto que estas mesmas forças são capazes de se re-organizarem para atenderem às necessidades atuais do indivíduo. No trabalho clínico da Gestalt-Terapia, busca-se, então, uma ampliação da consciência do indivíduo sobre seu próprio funcionamento, ou seja, uma awareness sobre como ele age ou como se bloqueia em sua tentativa para alcançar seu próprio equilíbrio, tomando suas próprias decisões e efetuando escolhas que atendam as suas reais necessidades.

“[…] na gestalt a única premissa é a tomada de consciência. E a premissa de trabalho é que se você toma consciência de si mesmo tal como você é, onde quer que esteja, qualquer que seja sua situação; a partir da tomada de consciência a mudança ocorrerá espontaneamente, não a partir do esforço, não a partir da intenção, ou da vontade, mas simplesmente, a partir da tomada de consciência.” (STEVENS apud  PERLS, 1977, p.334)

A partir do momento que o cliente começa a se aceitar como realmente é, visto que considerando-o como um todo, percebe-se que no que ele é se insere tudo o que ele foi e tudo o que ele pode vir-a-ser, e a mudança vai se tornando possível, uma vez que através do contato, como citado acima, a mudança simplesmente ocorre.

Com o trabalho sob o enfoque no presente, o cliente durante o processo psicoterapêutico, pode ir ampliando sua consciência, ir permitindo novos olhares, novas formas de ver a si próprio hoje e ontem, assumindo e aceitando o ser humano que é e responsabilizando-se pelas suas escolhas, sendo possível, assim, começar a discriminar e conseqüentemente assimilar o que é nutritivo e rejeitar o que é tóxico. “O ajustamento criativo caracteriza a interação ativa (e não a adaptação passiva) que acontece na fronteira de contato entre a pessoa saudável e o meio”. (GINGER e GINGER, 1995).

Jean Clark Juliano (1999), quando questionada sobre a tarefa da psicoterapia, respondeu que a imagem que tinha era a de um surfista, capaz de enfrentar muitas ondas, levando muitos tombos, bebendo muita água, mas em eterno movimento, fazendo o possível para permanecer vivo, cavalgando a onda. Essa é a noção de processo, que é, sempre em algum sentido, ativo, pois algo sempre está acontecendo. Segundo Perls (1977) em Gestalt-Terapia, trabalhamos para promover o processo de crescimento e desenvolver o potencial humano. Na Gestalt não se fala em alegria instantânea, de consciência sensorial instantânea, de cura instantânea. O processo de crescimento é um processo demorado, pois “crescer leva tempo”. (Idem, Ibid, p.15).

Fazer gestalt-terapia será sempre um desafio. O desafio, de acordo com Martins (1997), de estar presente ao nada mais que processo e ainda assim não se perder no abismo, não fazendo da teoria uma defesa contra o desconhecido. Perls (op.cit) coloca que antes de procurarmos as coisas que porventura estejam por detrás, melhor faremos se focalizarmos nossa atenção no que está ali, dado, presente, visível. Além de quê, nisto que está aí, neste óbvio, certamente também estão presentes elementos do que possa estar por detrás.

Concluindo, a gestalt-terapia é uma atitude de re-descobrir aquilo que está ali, sem a priori, é uma atitude de lidar com o novo como novo, é uma atitude de nada afirmar nem negar. Parafraseando Martins (1997) diria que a gestalt-terapia é como o vento. Quando prendemos o vento em uma caixa não temos mais vento, mas sim ar estagnado. Deste modo, quando prendemos a gestalt que emerge em uma situação nova a um conhecimento anterior, não temos mais gestalt-terapia, mas outras coisas. “Estas outras coisas podem, sinceramente, ser muito interessantes, apenas não são gestalt-terapia como a entendemos”.  (Idem, Ibid).

Você não pode ensinar nada a um homem; você pode apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo”. (Galileu Galilei).

REFERÊNCIAS

GINGER, S. e GINGER, A. Gestalt: Uma terapia do contato. São Paulo, Summus, 1995.

JULIANO, J.C. A arte de restaurar histórias. São Paulo: Summus, 1999.

MARTINS, A.E. Gestalt-Terapia: Solidificar para expandir – Reflexões sobre as possibilidades da prática social gestáltica. Trabalho apresentado no VI Encontro Nacional de Gestalt-Terapia e III Congresso Nacional da Abordagem Gestáltica, Florianópolis, Outubro de 1997.

PERLS e orgs. Isto é€ Gestalt. Summus: São Paulo, 1977.

_____. Gestalt-Terapia Explicada. São Paulo, Summus Editorial, 1977.

RODRIGUES, H.E. Introdução à Gestalt-Terapia: Conversando sobre os fundamentos da abordagem gestáltica. Editora Vozes, 2003.

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2 Comments

  1. Gislaine Marquesone
    Postado 26 de October de 2010 às 15:05 | Permalink

    Muito bom e esclarecedor este artigo, sou estudante de psicologia e estou cada dia mais encantada com esta aborgagem, e tem muito a contribuir no momento que vivemos.

  2. Beth
    Postado 9 de February de 2011 às 0:17 | Permalink

    Talita,

    muito bom este artigo!
    sinto a leveza e a acertividade em suas palavras!

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