O Ciclo da Vida: Formação e Destruição de Gestalt

A Gestalt-Terapia pode ser considerada uma terapia da relação, no sentido em que olha para o homem a partir da interação do organismo e seu meio (campo organismo-meio). Essa relação organismo-meio é vista como um processo contínuo de surgimento de figuras motivacionais, mobilizando o organismo como um todo. (TELLEGEN, 1984)

Estas figuras motivacionais são as necessidades dominantes naquele momento a fim de serem satisfeitas para voltarem ao equilíbrio. Acreditamos na sabedoria inata ao organismo, através da qual ele busca a homeostase, a sua auto-regulação. Como a todo o momento nossa vida é uma alternância entre equilíbrio e desequilíbrio, o processo homeostático está acontecendo conjuntamente. Se isto não acontecer, o equilíbrio se perde, e o indivíduo se torna doente.

Quando surgem várias necessidades, o organismo as avalia através de uma escala de valores. A figura, ou seja, a necessidade dominante naquele momento, provoca um estado de tensão interna que pode ser avaliada por uma ação específica, conduzindo ao objeto adequado capaz de satisfazer a necessidade e restabelecer o estado de equilíbrio do organismo, completando o ciclo de auto regulação. (TELLEGEN, op.cit)

Quando a necessidade foi satisfeita, ou seja, a figura passou a ser fundo, dizemos em Gestalt-Terapia que a Gestalt foi fechada. Este processo é chamado de Formação e Destruição de Gestalt, sendo constituídos por algumas etapas. Segundo Carboni (s/d) chama-se de campo indiferenciado, o organismo que está em equilíbrio, sem estímulos. Quando surge uma figura, esta é percebida e é necessário o contato com a mesma, a fim da sua delimitação. Em seguida, busca-se a satisfação da necessidade no meio assim como a diferenciação do “eu” e do “não eu”. Quando, então, da ação, o organismo realiza-se, destruindo a gestalt e voltando ao equilíbrio (campo indiferenciado).

Para exemplificar, vamos pensar na necessidade de tomar água. Primeiramente, eu percebo uma tensão, então, delimito-a como sendo sede, depois em como irei satisfazê-la no meio, por exemplo, “preciso me levantar do sofá, ir até a cozinha e pegar água na geladeira”, e em seguida, parto para a ação que concretamente satisfaz minha necessidade, ou seja, bebo água.

Perls (1973) coloca que para o fechamento de uma gestalt, o indivíduo deve ser capaz de manipular a si próprio e a seu meio, a fim de que haja uma interação do organismo com o meio. Quando não existe um fluxo livre de formação e fechamento de figuras (gestalten), situações inacabadas vão sendo acumuladas, e a energia que seria disposta para formação de novas figuras fica disponível para as figuras já existentes. O indivíduo se torna cristalizado num modo de atuar, e não é capaz de detectar suas necessidades e conseqüentemente, nem de satisfazê-las.

Por exemplo, uma paciente com um pai agressivo, cuja infância foi bastante marcada por tal aspecto, onde naquela época desenvolveu comportamentos de fuga em relação ao pai para proteger-se da sua agressividade. Desta maneira, pode acontecer que na situação adulta ela apresente dificuldades nos seus relacionamentos afetivos com homens (por exemplo, fuga) que possivelmente se relacionem com as situações inacabadas do passado.

Por isso, o trabalho terapêutico é um resgate de estar vivo, no aqui-agora, sentir suas partes agrupadas de maneira que as gestalten abertas referentes às questões do passado só podem ser fechadas se trabalhadas no presente. Deste modo, nossa vida é um constante abrir e fechar gestalten, sendo que o modo como elejo minha necessidade, como delimito-a e como busco seu fechamento são decisivos para minha saúde, e é através do contato com o meu modo de interagir com o meio que vai me possibilitar fluir pelo processo de formação e destruição de gestalten. Estar presente na sua figura dominante do momento é estar sendo autêntico consigo mesmo. E é essa autenticidade consigo que pode possibilitar uma vida mais saudável na relação com o meio.

REFERÊNCIAS

CARBONI, C. As Características Neuróticas de acordo com a Formação e Destruição da Gestalt.

PERLS, F. A Abordagem Gestáltica e a Testemunha Ocular da Terapia. LTC, Rio de Janeiro, 1973.

TELLEGEN, T. Gestalt e Grupos. São Paulo: Summus, 1984
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